PROCISSÃO DOS PASSOS DE ALCANEDE
29 Março 2026
1. Em
cada mistério, o que fará o Teu coração? Fará a vontade do Pai!
2. Em
cada mistério da nossa vida, o que fará o nosso coração?
3. Maria é a única que sabe o que fará Jesus no seu coração.
I
V: Louvado Seja Nosso
Senhor Jesus Cristo. R:
Contemplamos muitas vezes os mistérios da Paixão do Senhor.
Chamamos Paixão ao momento que vai da agonia do Getsémani à
crucificação, morte e sepultamento de Jesus.
Contemplamos muitas vezes os mistérios da Paixão – as vivências
– as experiências de Jesus – na sua entrega amorosa por nós.
Contemplamo-la, por exemplo, nos Mistérios dolorosos, quando recordamos
logo no 1º mistério, o momento da agonia de Jesus; quando lembramos no 2º
mistério a flagelação, ou no 3º a coroação de espinhos, ou no 4º o caminho
doloroso de Jesus.
Também, na Via sacra, contemplamos também na 1ª estação o
julgamento de Pilatos, na 2º estação o tomar da cruz, na 3ª estação a 1ª queda,
na 4ª o encontro de Jesus com sua mãe.
Em cada um destes mistérios entramos no mundo interior de
Jesus, nas suas vivências e experiências; contemplamos o sofrimento, a dor e os
tormentos de Jesus, as sensações, as emoções e os sentimentos de Jesus.
Cada um destes mistérios, é um momento de superação, e, por
isso, um momento de graça.
A Passio começa na Agonia de Jesus.
Escutemos o santo evangelho:
V: O Senhor esteja convosco. R.
V: Evangelho de N. Sr.
Jesus Cristo segundo S. Mateus (26,36)
«Jesus foi, então, com eles para uma propriedade chamada
Getsémani e disse aos discípulos: «Sentai-vos aqui, enquanto vou ali rezar».
37E, tomando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a
entristecer-se e a angustiar-se. 38Disse-lhes, então: «A minha alma está numa
tristeza de morte. Permanecei aqui e ficai vigilantes comigo». 39E, indo um
pouco mais adiante, caiu com o rosto por terra e, enquanto rezava, dizia: «Meu
Pai, se é possível, que se aparte de mim este cálice! No entanto, não se faça
como Eu quero, mas como Tu queres». 40Veio, então, ter com os discípulos,
encontrou-os a dormir e disse a Pedro: «Nem uma hora fostes capazes de ficar
vigilantes comigo? 41Estai vigilantes e rezai para não cairdes em tentação,
pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca». 42Afastou-se, de novo, pela
segunda vez, e rezou, dizendo: «Meu Pai, se não é possível apartar este cálice
sem que Eu o beba, faça-se a tua vontade».
A Agonia é a Experiência de uma tristeza de morte; é a experiência
do pânico, da angústia, do horror.
Na Agonia, perguntamos a Jesus: ‘o que fará o teu coração?”
O que fará o teu coração diante da angústia de morte, da
traição de Judas, das negações de Pedro e da prisão?
O que fará o teu coração quando fores julgado pelo Sinédrio,
por Herodes, ou por Pilatos?
O que fará o teu coração nos flagelos dos soldados, nos
insultos dos sacerdotes, nas humilhações dos judeus?
O que fará o teu coração quando fores despido de tuas vestes e
crucificado no madeiro?
Na Agonia, Jesus mostra o que tem no seu coração:
- um grande amor a Deus e um grande amor à vontade de Deus;
- uma grande decisão, uma grande escolha, de se entregar
voluntariamente.
O coração de Jesus é um coração cheio de amor ao Pai e à sua
vontade, apesar da traição de Judas, das negações de Pedro, do julgamento do
Sinédrio; o coração de Jesus resiste, persiste, apesar da flagelação, da
coroação de espinhos e da humilhação de Pilatos.
Na Agonia, Jesus mostra o que fará o seu coração: Meu Pai não se faça como eu quero, mas como
tu queres. Meu Pai, faça-se a tua vontade.
II
Também a nossa vida tem muitos mistérios, muitas vivências e
experiências.
Quase que podíamos contemplar num 1º mistério, o mistério do
nosso nascimento, num 2º, o da nossa infância, num 3º o da nossa juventude…
Quase que podíamos contemplar a vida em estações, a 1ª do
nosso crescimento, a 2ª da nossa primeira doença, a 3ª da nossa primeira
desavença, a 4ª do nosso primeiro encontro com a morte…
Como poderíamos acrescentar, a dificuldade do primeiro exame,
do primeiro trabalho, etc.
Em cada um destes mistérios, como Jesus recebemos uma graça
muito grande de resistência, de persistência, de fortaleza, e também de
constância, de encorajamento e de avanço.
Como Jesus, também podemos dizer o que fará o seu coração: Meu Pai não se faça como eu quero, mas como
tu queres. Meu Pai, faça-se a tua vontade.
III
Maria é a única que sabe o que fará o Seu coração.
No 4º mistério, em que Jesus carrega a cruz, o Senhor
encontra Sua mãe.
Na 4ª estação da Via sacra, depois da 1ª queda na Via
dolorosa, Jesus encontra Sua Mãe.
É que Maria vai todos os anos a Jerusalém.
Recordam-se daquele texto de Lucas que diz:
«Os seus pais iam todos os anos a Jerusalém para a Festa da
Páscoa. 42 E, quando Ele fez doze anos, subiram até lá como era costume na
festa. 43 Quando eles regressavam a casa, passados os dias festivos, o menino
Jesus ficou em Jerusalém sem que os seus pais o soubessem. 44 Pensando que Ele
estava na caravana, percorreram um dia de caminho. Puseram-se, então, a
procurá-lo entre os parentes e conhecidos 45 e, não o tendo encontrado,
regressaram a Jerusalém à sua procura. 48 Ao vê-lo, ficaram perplexos, e sua
mãe disse-lhe: «Filho, porque nos fizeste isto? O teu pai e eu andávamos
aflitos à tua procura». Jesus respondeu-lhes: Não sabíeis que eu devia estar na
casa de mau Pai. Mas eles não compreenderam o que Jesus lhes disse.»
Maria não compreendia na altura; mas é a única que compreende
agora.
Maria é a única que sabe agora.
Há uma mulher que sabe o que fará Jesus.
Há uma mulher que sabe o que está no coração de Jesus:
- um grande amor a Deus e um grande amor à vontade de Deus;
- uma grande decisão, uma grande escolha, de se entregar
voluntariamente.
Há uma
mulher que sabe que Jesus fará a vontade de seu Pai: Meu Pai não se faça como eu quero, mas como tu queres. Meu Pai, faça-se
a tua vontade.
A 13 de junho de 1917, N. Sra disse à Lúcia, em Fátima: Eu nunca te deixarei. O Meu Imaculado
Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzira a Deus.
Maria diz a Jesus:
Eu nunca te deixarei;
Sou para ti paz, doçura e consolo.
Sou para ti, refugio, auxílio e socorro.
Maria é Senhora do impulso, da fortaleza e da perseverança de
Jesus!
